O falo, o feto, o fato, o feito…
Seria o resumo do ser mulher…do amor feminino?
Fadada a esperar, imaculada, o falo…desejar desesperadamente o
feto…agradecer o fato e considerar como o feito…
Comportar-se, relacionar-se, maternar, calar, acolher e envelhecer…
O esperado, o combinado, o aceito, mas será o escolhido?
E depois, acompanhada ou abandonada?
Amada ou ignorada?
Usada ou realizada?
Afaga, aceita, se apaga…se cala…
Uma realidade, ainda de números altos, de filhos criados somente por
mulheres.
Uma realidade de renúncias a talentos e vocações abafadas e caladas.
Uma realidade de desigualdade de reconhecimento e valorização dos feitos.
Uma realidade de solidão velada.
Uma realidade de apagamento…
Um “amor feminino” idealizado, forjado, ensinado, programado…ainda.
ÁLLISSON OPITZ (São Paulo, 1974). Sempre flertei com todas as artes. Arte para mim é respiro, alimento, sanidade e loucura! A arte em que trabalho há anos é a arquitetura. Nos últimos tempos tenho trabalhado na arquitetura…do ser, do meu ser, de um ser, de quem sou. Após muitas experimentações tenho me dedicado às artes visuais. É nessa arte que atualmente me questiono, por vezes me conheço e às vezes me reconheço, como uma recorrente procura de respostas a vários e diversos porquês. Durante meu processo de trabalho, leio, desenho e escrevo, respeitando o tempo de maturação e questionamento. E vivo em estado de observação do mundo! A escrita, que ficou abandonada por anos, tem aparecido aos poucos enquanto desenvolvo novas séries e através dela e das minhas obras tenho expressado como observo as pessoas, como relações me forjaram, memórias que me afetam de alguma forma, porque, em qualquer das artes, o sentir está presente e eu sinto e muito!